QUANDO OS REMÉDIOS VIRAM DOENÇAS? A PATOLOGIZAÇÃO DA NORMALIDADE

Glória Silvia Nunes, Maria Tuane F. Oliveira e Thaís Wrigt Cunha Morgado

Resumo


Este artigo pretende abordar os diversos aspectos de um fenômeno recorrente em todo o mundo, a medicalização, a automedicação, a busca nos medicamentos da “tábua salvadora” das angústias e incômodos que a vida traz.
A sociedade contemporânea tem pressa, o tempo parece curto, há urgência para tudo. Nessa perspectiva, a medicação resolve de uma forma mais rápida os problemas que surgem no cotidiano, muitas vezes, consequência da própria falta de tempo e sobrecarga de atividades.
As pessoas estão medicalizando o sofrimento, ingerindo medicamentos em excesso, tanto assim que o consumo de ansiolíticos mais do que dobrou nos últimos tempos. Elas precisam conter a dor e buscam resultados rápidos, atacando a consequência, sem trabalhar a causa de seus conflitos, dores, aflições. Tratam da doença sem promover a saúde. Preferem a medicação a tentar uma terapia, para trabalhar o que está implícito em seu mal-estar, ou um exercício de relaxamento ou qualquer atividade que leve mais tempo que a ingestão de um comprimido.
Hoje, na saúde, seja ela mental ou não, reduz-se o sujeito ao seu sintoma. O dependente de drogas ilícitas recebe um tratamento para se livrar da substância, e outra droga é receitada, ou seja, o remédio, mas desta vez uma droga lícita. Hoje temos a dependência química lícita e ilícita.
O presente artigo pretende expor diferentes opiniões de autores e profissionais de diversas áreas, além de escritos, conceitos sobre a medicalização e seu lugar na sociedade hoje. Quando é hora de se buscar a solução no medicamento? Quando é hora de se estancar essa sangria do abuso da automedicação, da ingestão de comprimidos com a fórmula mágica para resolver seus conflitos, dores, mal-estar?

Referências


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